Lula x Bolsonaro: números mostram quem avançou em emprego, renda, PIB e investimentos no Brasil

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Lula ou Bolsonaro? Veja o que os dados revelam sobre emprego, renda, PIB, inflação, investimentos e desigualdade — e entenda o que realmente mudou na vida dos brasileiros.

Lula x Bolsonaro: o que os números da economia revelam sobre emprego, PIB, inflação e investimentos

Por: Alberto Senna

Um alerta para quem olha a economia com paixão política
Este levantamento não foi produzido para dar razão à direita ou à esquerda, muito menos para transformar economia em torcida organizada. A análise parte de informações e indicadores pesquisados em fontes como IBGE, Portal da Transparência, Receita Federal, BNDES, além de veículos especializados em economia, como o InfoMoney, entre outras referências. Mas o objetivo não é simplesmente empilhar números: é compreender o que esses números produziram na vida real. PIB crescendo significa o quê para o trabalhador? A queda do desemprego chegou ao bolso das famílias? O aumento da renda compensou a alta dos alimentos? Os investimentos públicos e privados estão se transformando em obras, empregos e infraestrutura? É justamente nessa diferença entre número e resultado que esta análise pretende contribuir. Aos apaixonados por Bolsonaro, Lula ou qualquer outro projeto político, fica um convite: antes de comemorar ou condenar um governo, é preciso olhar os dados, compreender o contexto e perguntar, acima de tudo, qual foi o resultado concreto para o Brasil e para o brasileiro. Política passa; os efeitos das decisões econômicas permanecem na vida das pessoas.

Não é apenas uma Comparação entre os governos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva mostra diferenças importantes em crescimento econômico, mercado de trabalho, renda, inflação, desigualdade e estratégia de investimentos públicos e privados

 

Comparar governos é uma tarefa que exige mais do que discursos políticos, opiniões partidárias ou percepções individuais. Quando o assunto é economia brasileira, os números ajudam a colocar o debate em outro patamar: menos paixão, mais informação.

Entre os governos de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, e Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2023, os indicadores econômicos apresentaram trajetórias diferentes. A pandemia de Covid-19, a crise internacional de oferta, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a inflação global, as mudanças no mercado de trabalho e as decisões de política econômica influenciaram diretamente os resultados.

Por isso, qualquer comparação séria precisa levar em consideração não apenas quem estava no Palácio do Planalto, mas também o cenário internacional e as condições econômicas encontradas em cada período.

Ainda assim, os números oficiais permitem identificar diferenças relevantes.

Nesta análise, quatro grandes áreas ajudam a compreender essa disputa de narrativas: crescimento do PIB, emprego e renda, inflação e investimentos estratégicos. Também entram no debate a desigualdade social, os programas de transferência de renda, o papel do BNDES e as diferentes concepções sobre a participação do Estado na economia.

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PIB: quem fez a economia crescer mais?

O Produto Interno Bruto (PIB) é um dos principais indicadores utilizados para medir o desempenho de uma economia. Ele representa o valor dos bens e serviços finais produzidos no país em determinado período.

Mas existe uma ressalva fundamental: PIB maior não significa automaticamente que toda a população ficou mais rica. O indicador mede a atividade econômica, mas não mostra sozinho como a riqueza foi distribuída entre os brasileiros.

Segundo a série revisada das Contas Nacionais apresentada no material, o PIB brasileiro cresceu 1,2% em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro.

Em 2020, entretanto, veio o impacto extraordinário da pandemia de Covid-19. A economia brasileira recuou 3,3%, em meio ao choque que atingiu praticamente todas as grandes economias mundiais.

A partir de 2021 ocorreu uma forte recuperação, com crescimento de 4,8%, seguido de expansão de 3,0% em 2022.

No terceiro governo Lula, os números apresentados no documento apontam crescimento de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024.

Em 2024, o PIB brasileiro chegou a aproximadamente R$ 11,7 trilhões, enquanto o PIB per capita avançou 3,0% em termos reais.

PIB por governo

Ano Governo Crescimento real do PIB
2019 Bolsonaro 1,2%
2020 Bolsonaro -3,3%
2021 Bolsonaro 4,8%
2022 Bolsonaro 3,0%
2023 Lula 3,2%
2024 Lula 3,4%

Os números mostram uma diferença importante na média anual apresentada no material: aproximadamente 1,4% ao ano durante o governo Bolsonaro, contra 3,3% ao ano entre 2023 e 2024 no governo Lula.

Mas existe uma armadilha nessa comparação.

Não é possível analisar esses números ignorando que 2020 foi um ano absolutamente excepcional para a economia mundial. A pandemia provocou paralisações, interrupções nas cadeias produtivas, redução da circulação de pessoas e forte incerteza econômica.

Portanto, atribuir exclusivamente ao governo federal o resultado de todos os indicadores seria uma simplificação.

Crescimento econômico não é apenas uma questão de quantidade

Outro ponto importante é observar onde o crescimento aconteceu.

Em 2023, a agropecuária apresentou uma expansão extraordinária de 16,3%, enquanto os serviços cresceram 2,8% e a indústria avançou 1,7%.

Já em 2024, houve mudança significativa na composição do crescimento. Os serviços avançaram 3,7%, a indústria cresceu 3,3%, enquanto a agropecuária registrou queda de 3,2%.

Essa mudança é importante porque demonstra que o desempenho da economia brasileira não depende de um único setor.

Em 2024, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 7,3%. Esse indicador está relacionado à ampliação da capacidade produtiva da economia por meio de máquinas, equipamentos, construção e outros investimentos.

A taxa de investimento chegou a 17% do PIB.

Na prática, isso significa que uma parcela maior da atividade econômica esteve associada à formação de capacidade produtiva.

E aqui aparece uma questão que costuma passar longe das discussões políticas nas redes sociais: crescer hoje é importante, mas investir na capacidade de produzir amanhã é igualmente estratégico.

Emprego: o mercado de trabalho mudou de forma significativa

Se existe um indicador capaz de atingir diretamente a vida cotidiana do cidadão, esse indicador é o emprego.

Não basta falar em crescimento econômico quando milhões de pessoas continuam procurando trabalho.

Segundo os dados apresentados no material, a taxa média anual de desocupação ficou em:

  • 11,8% em 2019;
  • 13,8% em 2020;
  • 14,0% em 2021;
  • 9,6% em 2022;
  • 7,8% em 2023;
  • 6,6% em 2024.

O período mais crítico ocorreu durante a pandemia, quando o desemprego atingiu níveis muito elevados.

A partir de 2022, entretanto, começou uma redução significativa da taxa de desocupação.

No governo Lula, a queda continuou. Em 2024, a taxa média anual chegou a 6,6%, segundo o material, representando o menor nível médio anual da série histórica iniciada em 2012.

No trimestre encerrado em dezembro de 2024, havia 103,8 milhões de pessoas ocupadas, enquanto a taxa de desemprego estava em 6,2%.

São números que merecem atenção porque emprego não é apenas estatística.

Por trás de cada posto de trabalho existe uma família, uma conta paga, uma criança alimentada, uma prestação quitada e, principalmente, uma pessoa que recupera parte da autonomia financeira.

Renda: o brasileiro está ganhando mais?

A resposta apresentada pelos indicadores também aponta para uma melhora.

Em 2024, o rendimento real habitual médio anual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.225, crescimento real de 3,7% em relação a 2023.

A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 328,9 bilhões, uma alta de 6,5%, segundo os dados apresentados.

O material atribui parte desse desempenho ao mercado de trabalho aquecido, ao reajuste do salário mínimo e à elevação da remuneração em setores mais qualificados.

Esse é um ponto especialmente importante para compreender a economia.

Um país pode apresentar crescimento do PIB e, ao mesmo tempo, ter uma parcela significativa da população sem perceber melhora proporcional no orçamento doméstico.

Por isso, emprego, salário e renda precisam ser analisados juntamente com o PIB.

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Desigualdade: a riqueza está chegando a mais brasileiros?

Outro indicador relevante é o índice de Gini, utilizado para medir a desigualdade de renda.

Quanto mais próximo de zero, menor a desigualdade.

Segundo os dados apresentados no documento, o índice estava em 0,544 em 2019. Chegou a 0,523 em 2020, voltou para 0,543 em 2021 e caiu para 0,517 em 2022 e 2023.

Em 2024, o indicador chegou a 0,506 na divulgação original do IBGE. Após atualização das projeções populacionais, o número foi revisado para 0,504.

O material destaca que esse foi o menor nível da série iniciada em 2012.

Mais do que o número isolado, existe outro dado relevante: o papel dos programas de transferência de renda.

Segundo o IBGE, em 2023, sem os benefícios dos programas sociais, o índice de Gini teria sido de 0,555, contra 0,518 observado com os benefícios.

Ou seja, as políticas de transferência de renda tiveram impacto mensurável na distribuição de renda.

Em 2024, o rendimento mensal real domiciliar per capita chegou a R$ 2.020, alta real de 4,7% sobre 2023 e maior valor da série apresentada no documento.

Inflação: o preço no supermercado continua sendo o grande teste

Para o cidadão comum, nenhuma discussão econômica é tão concreta quanto a inflação.

É no supermercado, no posto de combustível, na farmácia, na conta de energia e no aluguel que a inflação deixa de ser um conceito econômico e passa a fazer parte da vida real.

O material apresenta uma inflação média aritmética de aproximadamente 6,17% ao ano nos quatro anos do governo Bolsonaro.

Nos dois primeiros anos do governo Lula, a média apresentada foi de aproximadamente 4,73% ao ano.

Entretanto, também aqui é necessário colocar os números dentro de seu contexto.

A inflação de 2021 foi influenciada por uma combinação de fatores internacionais e domésticos, incluindo problemas nas cadeias globais de produção, recuperação da demanda, choques de commodities e dificuldades de oferta.

Em 2022, a guerra entre Rússia e Ucrânia adicionou pressão sobre combustíveis, alimentos e outras commodities.

Portanto, não é tecnicamente correto dizer que toda a inflação observada em determinado governo foi provocada exclusivamente por decisões daquele governo.

Bolsonaro e o combate à inflação dos combustíveis

Durante o governo Bolsonaro, foram adotadas medidas para reduzir os preços dos combustíveis.

Entre elas esteve a limitação da alíquota do ICMS incidente sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, além de medidas que afetaram a formação dos preços dos combustíveis.

Segundo os dados apresentados, essas ações contribuíram para reduzir os preços dos combustíveis e ajudaram a produzir deflação mensal em julho e agosto de 2022.

O IPCA terminou aquele ano em 5,79%.

Essa estratégia, contudo, também precisa ser analisada sob uma perspectiva mais ampla.

Medidas que reduzem temporariamente preços podem aliviar o bolso do consumidor, mas é preciso avaliar seus efeitos fiscais, sua duração e sua sustentabilidade.

Em economia, não existe almoço grátis.

Uma redução de determinado imposto pode beneficiar imediatamente o consumidor, mas pode também reduzir a arrecadação de estados e municípios ou exigir compensações em outras áreas.

Lula: inflação ficou controlada, mas alimentos pressionaram

No governo Lula, o IPCA encerrou 2023 em 4,62%.

Em 2024, porém, voltou a acelerar levemente e terminou em 4,83%.

O principal foco de pressão foi o grupo de alimentação e bebidas, que apresentou alta de 7,69% e impacto de 1,63 ponto percentual no índice geral, conforme o material.

Isso mostra que uma inflação relativamente controlada no índice geral não significa necessariamente que todos os brasileiros tenham sentido o mesmo impacto.

Para uma família de baixa renda, alimentos representam uma parcela maior do orçamento. Assim, uma alta significativa no supermercado pode ser muito mais dolorosa do que sugere o índice médio.

Essa é uma das razões pelas quais a análise econômica precisa ir além dos números agregados.

Afinal, qual governo teve inflação menor?

Considerando a média apresentada no documento, os dois primeiros anos do governo Lula registraram inflação média inferior à média dos quatro anos do governo Bolsonaro.

Mas a comparação deve ser feita com cautela.

Inflação depende de uma combinação de fatores, incluindo:

  • política monetária;
  • taxa de juros;
  • câmbio;
  • preços internacionais;
  • commodities;
  • clima;
  • oferta e demanda;
  • tributação;
  • preços administrados;
  • condições do mercado de trabalho;
  • expectativas econômicas.

Portanto, afirmar simplesmente que “um governo causou toda a inflação” ou que “outro governo controlou sozinho os preços” não representa adequadamente a complexidade da economia.

Investimentos: dois modelos diferentes de Estado

Talvez uma das maiores diferenças entre os dois governos esteja na maneira como cada administração enxergou o papel do Estado na economia.

Durante o governo Bolsonaro, a estratégia esteve fortemente associada a concessões, privatizações, desestatização e participação privada na infraestrutura.

O principal instrumento foi o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Segundo os dados apresentados, entre 2019 e 2021 foram promovidos 131 projetos e leilões, com aproximadamente R$ 822,3 bilhões em investimentos projetados para os anos seguintes e cerca de R$ 148,3 bilhões em outorgas e bônus.

A carteira envolveu setores como:

  • aeroportos;
  • ferrovias;
  • portos;
  • rodovias;
  • energia elétrica;
  • petróleo;
  • gás.

A lógica era ampliar a participação privada e reduzir a presença direta do Estado em determinados setores.

Eletrobras: uma das decisões mais controversas

A Eletrobras tornou-se um dos principais símbolos dessa estratégia.

Em junho de 2022, ocorreu a capitalização da empresa, com uma oferta pública de ações que movimentou R$ 33,69 bilhões, segundo os dados apresentados.

A participação da União no capital votante foi reduzida, e o governo deixou de ser controlador da companhia.

A operação foi defendida pelo governo Bolsonaro como uma forma de ampliar a capacidade de investimento da empresa e aumentar sua participação na expansão do setor elétrico.

A decisão, porém, continua sendo um dos pontos mais controversos quando se discute a presença do Estado em setores considerados estratégicos.

Lula e o retorno do investimento público

O governo Lula apresentou uma estratégia diferente.

O principal programa passou a ser o Novo PAC — Programa de Aceleração do Crescimento, relançado em 2023 com previsão de R$ 1,8 trilhão em investimentos.

Desse montante, o planejamento previa R$ 1,3 trilhão até 2026 e R$ 500 bilhões posteriormente.

Os recursos têm diferentes origens, incluindo orçamento público, financiamentos, empresas estatais e investimentos privados.

A carteira envolve áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional:

  • transporte e logística;
  • habitação;
  • saneamento;
  • saúde;
  • educação;
  • energia;
  • transição energética;
  • prevenção de desastres;
  • infraestrutura hídrica;
  • mobilidade urbana;
  • defesa;
  • inovação e tecnologia.

Essa estratégia representa uma visão diferente daquela adotada no governo anterior.

Enquanto Bolsonaro apostou mais intensamente na transferência de ativos e projetos para a iniciativa privada, Lula voltou a defender maior participação do Estado como indutor do desenvolvimento.

BNDES volta a ganhar protagonismo

A mudança também aparece no papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Durante o governo Bolsonaro, o banco passou por uma estratégia de redução de sua participação relativa no financiamento de longo prazo, acompanhando a agenda de desestatização e de diminuição do papel do Estado na alocação de crédito.

No terceiro governo Lula, o BNDES voltou a ser apresentado como instrumento de política industrial, inovação e transição energética.

Em 2024, segundo os dados apresentados, o banco aprovou aproximadamente R$ 213 bilhões em crédito, crescimento de 22% sobre 2023.

Os desembolsos chegaram a R$ 133,7 bilhões, alta de 17%.

A diferença não é meramente contábil.

Ela representa duas visões econômicas distintas.

De um lado, a defesa de um Estado menor, com maior protagonismo do capital privado.

De outro, a defesa de um Estado que utiliza bancos públicos, investimentos e políticas industriais para induzir setores considerados estratégicos.

Arrecadação federal cresce, mas surge outra pergunta:

e a carga tributária?

Outro dado apresentado no material chama atenção.

Em novembro de 2024, a arrecadação federal alcançou R$ 209,218 bilhões, crescimento real de 11,21% em relação a novembro de 2023.

Entre janeiro e novembro, a arrecadação chegou a aproximadamente R$ 2,391 trilhões, crescimento real de 9,82%.

Segundo a Receita Federal, entre os fatores estavam o comportamento favorável de variáveis macroeconômicas, a retomada da tributação do PIS/Cofins sobre combustíveis e mudanças na tributação de fundos exclusivos e na atualização de bens e direitos no exterior.

Aqui surge uma discussão inevitável.

Arrecadar mais significa necessariamente que a economia está melhor?

Não.

A arrecadação pode crescer porque a economia cresce, mas também porque impostos aumentam, benefícios tributários são reduzidos ou determinadas bases de tributação são ampliadas.

Por isso, arrecadação precisa ser analisada junto com crescimento econômico, despesas públicas, dívida, investimento, inflação e carga tributária.

Lula x Bolsonaro: não existe resposta simples

A comparação dos indicadores revela diferenças importantes, mas não permite uma conclusão infantil de que um governo foi responsável por tudo de bom e o outro por tudo de ruim.

A economia é muito mais complexa.

O governo Bolsonaro enfrentou uma pandemia sem precedentes nas últimas décadas, seguida por problemas nas cadeias globais de produção e forte pressão internacional sobre commodities.

Também adotou medidas de emergência, políticas de transferência de renda e medidas de redução de impostos sobre determinados produtos e serviços.

O governo Lula encontrou um cenário diferente, com recuperação do mercado de trabalho, inflação ainda pressionada em alguns segmentos e possibilidade de implementar uma política econômica mais voltada à expansão de investimentos públicos e industriais.

Os resultados de 2023 e 2024 mostram crescimento do PIB acima da média observada no período Bolsonaro, queda da taxa de desemprego, aumento da renda real e redução da desigualdade medida pelo Gini.

Por outro lado, a inflação continuou sendo um desafio, especialmente nos alimentos, e a expansão do gasto e do investimento público exige atenção permanente à sustentabilidade fiscal.

O que os números dizem — e o que eles não dizem

Os indicadores econômicos são importantes porque reduzem o espaço para opiniões sem fundamento.

Mas números também precisam ser interpretados.

Um PIB de R$ 11,7 trilhões não significa que todos os brasileiros estejam vivendo bem.

Uma taxa de desemprego de 6,6% não significa que todas as pessoas tenham empregos de qualidade.

Uma inflação de 4,83% não significa que todos os preços subiram exatamente nessa proporção.

Uma arrecadação de trilhões de reais não significa automaticamente que o Estado esteja administrando melhor seus recursos.

Da mesma maneira, um grande programa de investimentos não garante sozinho que todas as obras serão executadas dentro do prazo e com eficiência.

A verdadeira pergunta é outra:

o crescimento econômico está se transformando em melhoria concreta na vida da população?

É essa questão que deveria ocupar o centro do debate.

O trabalhador é quem sente o resultado final

No fim das contas, a população não vive de PIB.

Vive de salário.

Não vive de índices econômicos.

Vive de supermercado, aluguel, transporte, escola, saúde e contas pagas.

É por isso que emprego e renda talvez sejam os indicadores mais próximos da realidade das famílias.

Quando o desemprego cai e a renda aumenta, há potencial de melhora na qualidade de vida.

Quando os preços dos alimentos sobem acima da média, essa melhora pode ser parcialmente corroída.

Quando investimentos geram infraestrutura, podem aumentar a produtividade e abrir oportunidades.

Quando o Estado arrecada mais sem melhorar serviços, entretanto, o cidadão pode continuar sentindo que paga muito e recebe pouco.

Essa é a contradição permanente da economia brasileira.

A grande disputa: Estado forte ou iniciativa privada?

Por trás da comparação entre Lula e Bolsonaro existe uma discussão econômica ainda maior.

Qual deve ser o tamanho e o papel do Estado brasileiro?

Bolsonaro adotou uma agenda mais próxima da desestatização, concessões e privatizações.

Lula defende maior atuação estatal, investimentos públicos, financiamento por bancos públicos e políticas industriais.

Nenhum desses modelos é automaticamente perfeito.

Uma economia moderna precisa de iniciativa privada, mas também necessita de infraestrutura, segurança jurídica, educação, ciência, tecnologia e políticas públicas capazes de enfrentar desigualdades históricas.

A questão central é encontrar equilíbrio.

Estado demais pode produzir burocracia, ineficiência e desperdício.

Estado de menos pode deixar setores estratégicos sem coordenação e aprofundar desigualdades.

O desafio é construir um Estado eficiente, responsável e capaz de entregar resultados.

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Conclusão: os números contam uma história, mas

não encerram o debate

A comparação entre os governos Bolsonaro e Lula mostra que os indicadores econômicos seguiram caminhos diferentes.

Nos dados apresentados para 2023 e 2024, o governo Lula registrou crescimento do PIB de 3,2% e 3,4%, respectivamente, enquanto o período Bolsonaro foi marcado pela forte queda de 2020 e pela posterior recuperação econômica.

O mercado de trabalho também apresentou melhora expressiva, com a taxa média anual de desemprego chegando a 6,6% em 2024.

A renda real aumentou, a massa de rendimentos atingiu novo recorde e o índice de desigualdade apresentou queda.

Na inflação, a média dos dois primeiros anos de Lula ficou abaixo da média dos quatro anos de Bolsonaro, embora os preços dos alimentos tenham exercido pressão relevante em 2024.

Nos investimentos, a diferença de concepção foi ainda mais evidente: Bolsonaro priorizou concessões, privatizações e participação privada, enquanto Lula recolocou o Estado, o BNDES e o investimento público no centro da estratégia de desenvolvimento.

Mas existe uma conclusão ainda mais importante.

Nenhum governo deveria ser julgado apenas por seus discursos.

Governos precisam ser avaliados por resultados.

E resultados precisam ser medidos por números, mas também pela experiência cotidiana da população.

O brasileiro quer saber se há emprego.

Quer saber se o salário compra mais.

Quer saber se o preço da comida cabe no orçamento.

Quer saber se a saúde funciona.

Quer saber se existe infraestrutura.

Quer saber se os impostos retornam em serviços públicos.

Quer saber se o país está criando oportunidades para seus filhos.

É nesse ponto que a discussão deixa de ser simplesmente Lula contra Bolsonaro.

A questão passa a ser Brasil contra seus próprios problemas históricos.

E, nesse debate, os números são apenas o começo da conversa.

Porque uma economia verdadeiramente forte não é aquela que apenas cresce no papel. É aquela capaz de transformar crescimento em emprego, renda, investimento, oportunidade e qualidade de vida para quem vive no país.

 

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